Relator Pedro de Faria e Castro: "as nossas comunidades oferecem um manancial de oportunidades à UE"

O impacto  da pandemia de COVID-19, a pressão acrescida decorrente dos efeitos da guerra da Rússia contra a Ucrânia e o número crescente de catástrofes naturais tornam urgente a aplicação de uma estratégia de apoio renovada e ambiciosa para as regiões ultraperiféricas da União Europeia. Esta foi a mensagem principal  transmitida pelo Comité das Regiões Europeu (CR) na sua reunião plenária de 8 de fevereiro.

Os cinco milhões de cidadãos da UE que vivem nas regiões ultraperiféricas (Guadalupe, Guiana Francesa, Martinica, Maiote, Reunião, São Martinho, Açores, Madeira e ilhas Canárias) enfrentam vulnerabilidades específicas, devido às suas características geográficas, nomeadamente o afastamento, insularidade e pequena dimensão destes territórios. Estes desafios têm sido agravados por uma sucessão de catástrofes naturais, cada vez mais frequentes devido à crise climática, pela pandemia COVID-19 e pela guerra contra a Ucrânia, que coloca agora em perigo a recuperação económico-social destas regiões.

Neste contexto, o parecer elaborado por Pedro de Faria e Castro (PT-PPE), subsecretário regional da Presidência do Governo Regional dos Açores, apela à atualização das políticas de apoio e dos instrumentos de investimento da UE para as regiões ultraperiféricas europeias, que se situam no oceano Atlântico, nas Caraíbas, na América do Sul e no oceano Índico.

De acordo com o relator “As Regiões Ultraperiféricas são territórios que, no atual quadro geopolítico e de alterações sistémicas da economia europeia e internacional, oferecem um manancial de oportunidades à UE. É impossível capitalizar este potencial sem colmatar as fragilidades e os constrangimentos estruturais destes territórios, que requerem a adaptação das políticas europeias. Esta é a essência do Artigo 349.º. Só uma política adaptada às características específicas das RUP permitirá um desenvolvimento estrutural e sustentável que traga esperança às suas populações. Este parecer é mais um passo decisivo para a concretização das respostas essenciais para fazer face aos tempos desafiantes que vivemos.”.

O eurodeputado português Álvaro Amaro (PT/EPP) afirmou que "Esta Estratégia da União é absolutamente essencial para as RUPs, quer pelo diagnóstico efetuado, quer pela correta contextualização do difícil momento económico, social e político que vivemos. A posição do Parlamento Europeu reforça a capacidade negocial das RUP e respetivos Estados Membros, quer para a revisão do atual Quadro Financeiro, quer para o Pós-2027. É função da UE acautelar medidas diferenciadas e devidamente financiadas, pelo que as RUP poderão beneficiar com a criação de mais programas europeus específicos, à semelhança do POSEI-Agricultura, cujo modelo deverá ser replicado noutras áreas essenciais."

O parecer do CR chama a atenção para a necessidade urgente de abordar as significativas desigualdades sociais e económicas das regiões ultraperiféricas em relação à Europa continental e apela à Comissão Europeia para apoiar estas regiões no processo de convergência com o resto da União Europeia.

Tendo em conta a maior vulnerabilidade das regiões ultraperiféricas, devido ao seu afastamento e isolamento em relação ao continente europeu, a prossecução dos novos objetivos em matéria de emissões e tributação dos combustíveis decorrentes do pacote Fit for 55 pode ter um impacto relevante nas suas economias e sociedades. Por conseguinte, o Comité apela a que se promova a autonomia energética destas regiões através de políticas específicas de apoio e fomento que permitam uma transição adequada da atual dependência da energia fóssil para fontes sustentáveis, a um custo acessível.

Os dirigentes regionais e locais da UE salientaram igualmente o papel das regiões ultraperiféricas no reforço da dimensão marítima da União Europeia, proporcionando-lhe o maior espaço marítimo do mundo, com mais de 25 milhões de km2 de zona económica exclusiva (ZEE), e importantes oportunidades económicas. Neste contexto, o CR congratula-se com o compromisso da Comissão de rever os requisitos dos procedimentos de comunicação de dados e as disposições que permitem auxílios estatais para a renovação da frota de pesca nestas regiões.

O setor do turismo, por seu lado, desempenha um papel fundamental no desenvolvimento das regiões ultraperiféricas e tem um impacto importante no respetivo crescimento económico, emprego e desenvolvimento regional. O Comité convida a Comissão Europeia a intensificar o desenvolvimento de uma política de turismo europeia que preveja a criação de uma Agência Europeia do Turismo, apoie a dupla transição dos destinos turísticos europeus e acelere a recuperação económica da pandemia deste setor estratégico.

Finalmente, o CR apela à adoção urgente de soluções pragmáticas e adaptadas, aplicando sistematicamente o artigo 349 do TFUE, a fim de evitar que o objetivo de recuperação económica, social e sustentável seja prejudicado.

 

Contexto:

O artigo 349.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (TFUE) reconhece as vulnerabilidades das regiões ultraperiféricas e os condicionalismos estruturais permanentes que estas regiões enfrentam.

As Regiões ultraperiféricas da EU são: Guadalupe, Guiana Francesa, Martinica, Reunião, São Bartolomeu, São Martinho, Açores, Madeira e ilhas Canárias.

Os membros do CR continuarão a discutir a implementação da Estratégia da UE para as Regiões Ultraperiféricas num seminário nas Ilhas Canárias, a 7 de Março.

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